Avaliação: Kawasaki ZX-6R

Modelo 2020, com preço de 2013

Avaliação: Kawasaki ZX-6R
Por: André Ramos / Fotos: Gustavo Epifanio/Divulgação Kawasaki Brasil
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Os anos 80 foram, sem dúvida, um grande barato. Se você nasceu depois e não teve a chance de viver aquele período, sinto em lhe dizer que perdeu uma das épocas mais bacanas de todos os tempos. Aquele período foi marcado por uma efervescência cultural global, um fenômeno que proporcionou o surgimento de grandes bandas, do movimento New Wave e, por que não, de grandes motocicletas.

Em meados daquela década, a Kawasaki revelaria duas que se tornariam sinônimo de performance e de desejo entre os apaixonados pela alta performance. O nome escolhido para batizá-las foi "Ninja", em alusão aos míticos guerreiros medievais que tornaram-se lenda por conta de suas habilidades nas artes marciais. O primeiro modelo que deu início a esta saga foi a GPz900R Ninja. No ano seguinte foi a vez de a marca mostrar sua aposta para o segmento das midsizes, a GPZ600R Ninja, que em função de suas qualidades, tornou-se um sucesso de venda nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Desde então, a motocicleta passou por várias modificações mecânicas e estéticas, mas sem nunca perder seu vigor e seu apetite por vitórias, sendo uma das motocicletas mais vitoriosas do Mundial de Supersport da FIM, especialmente nas mãos do turco Kenan Sofuoglu, que de seus 5 títulos mundiais da classe, conquistou três sobre uma Ninja ZX-6R.

Recentemente, a Kawasaki apresentou à imprensa especializada brasileira a versão 2019 da motocicleta, que chega ao mercado trazendo modificações que vieram para deixar a moto mais ágil e ao mesmo tempo, mais segura e fácil de ser conduzida.

Novidades

A primeira e mais evidente mudança está em sua carenagem, que recebeu novos faróis em LED e uma nova entrada para o sistema de RAM Air, enquanto que a traseira ganhou novo desenho e uma nova lanterna também em LED. Um novo assento também foi adotado, este, mais curto e estreito em sua porção frontal. Um detalhe que pode parecer bobo mas que é importante de destacar é a nova forma de soltá-lo, que agora é pela frente, em vez de pela parte traseira, facilitando o acesso à bateria.

O painel também foi repensado e traz um novo design, além de indicadores importantes como os marcadores de marcha e de combustível, enquanto que os manetes de freio e embreagem passam a ter 5 níveis de regulagem.

Mas foi no powertrain e em seu gerenciamento que ocorreram as maiores mudanças, que visaram deixar a 636 2020 mais apetitosa, porém, mais fácil de ser conduzida. O primeiro destaque fica por conta da caixa de ar, que foi expandida para 5 litros para ampliar o volume que o motor pode aspirar. Isso, ajudou também a enquadrar os níveis de emissões da moto aos requeridos pela segunda fase do Promot 4, mas para isso, foram realizados alguns ajustes nos mapas de potência de sua ECU, o que fez com que seu motor perdesse 1 cv de potência em relação à versão anterior: agora são 130 cv (136 cv com RAM Air) a 13.500 rpm. É bem pouco, entretanto, ela ganhou dois quilos a mais também quando comparada à versão anterior (194 kg, contra 196 kg), o que prejudicou um pouco sua relação peso x potência: de 1,41 kg/cv para 1,44 kg/cv (valores levando em consideração a potência máxima sob efeito de RAM Air). Já o torque não apresentou perda, permanecendo cm 7,2 kgf.m a 11.000 rpm, 500 rpm mais cedo que na versão anterior, algo que certamente é um reflexo da conexão das quatro curvas de escape logo após a saída do cabeçote, adotada nesta versão e da redução do tamanho do pinhão, de 15 para 16 dentes - a coroa permaneceu com 43 dentes.

De série

A embreagem tipo cassete, deslizante, agora tem como item de série o sistema de trocas assistidas. Batizado de KQS (Kawasaki Quick Shift) ele elimina a necessidade do uso da embreagem nas subidas de marchas, mas requer o seu uso quando na redução.

A Ninja ZX-6R 2020 continua apresentando três níveis de intervenção do controle de tração, batizado de KTRC (Kawasaki Traction Control), além da opção de desligá-lo, e dois modos de entrega de potência: full e low, sendo que neste último, apenas 65% da cavalaria fica à disposição. No total, são 8 possíveis combinações entre estes dois parâmetros, enquanto que a shift light é regulável e pode ser ajustada para acender a partir dos 5.000 rpm.

Mas um ponto que merece destaque é a adoção desde 2015 da suspensão dianteira Showa modelo SFF (Showa Separate Function) na qual um tubo recebe mola e o outro, um pistão de pressurização do óleo, o que reduz peso e otimiza seu funcionamento. Para facilitar seu ajuste, os pontos de regulagem encontram-se todos na parte superior. Na traseira, há o sistema de monoamortecedor que a Kawasaki chama de UNI-Trak. Este modelo 2020 ganhou alguns refinamentos para melhorar sua performance, principalmente em trechos sinuosos.

Para os freios, a Kawasaki manteve o KIBS (Kawasaki Intelligent anti-lock Braking System), adotado desde 2015, que segundo a marca, é uma evolução do ABS e melhora as frenagens através de um menor tempo de pulsação do sistema, oferecendo um funcionamento mais uniforme, que resulta em frenagens mais eficientes. As pinças de 4 pistões opostos da Nissin apresentam sistema de fixação radial e trabalham com discos duplos de 310 mm de diâmetro na frente; já atrás a pinça é de pistão único com disco de 220 mm.

As rodas não sofreram alteração em seu design e são calçadas com pneus Bridgestone Battlax da Série S 22, nas medidas 120/70 ZR-17 na frente e 180/55 ZR-17 atrás.

Diante da pouca quantidade de concorrentes no segmento, a Kawasaki tem nadado de braçada nos últimos anos mas mesmo assim, procurou aplicar um preço bastante competitivo na nova ZX-6R NInja 2020: R$ 49.990,00 + frete, valor que era o mesmo praticado pela marca em 2013 e por enquanto, a única cor disponível à venda será esta verde, réplica KRT (Kawasaki Racing Team).

Impressões

Falar a respeito de uma motocicleta como a ZX-6R Ninja é um exercício constante de tentar fugir da adjetivação excessiva, pois a moto, de fato, é muito boa e isso, associado ao fato de ter poucas concorrentes no mercado à sua altura, torna a tarefa ainda mais difícil.

A moto já era linda e agora, com a adoção do novo desenho da carenagem e dos faróis e lanterna de LED, deixaram-na ainda mais invocada e moderna. O novo painel trouxe além das novas e importantes informações, o acompanhamento estético que agregou modernidade ao cockpit.

O motor… ahhh o motor! A baixas rotações, a 636 parece que não tem o que entregar, mas faça o ponteiro do conta-giros ultrapassar a barreira dos 8.000 rpm! É a partir daí que a caixa de ar redimensionada começa a rugir alto e você sente a cavalaria soltando as amarras, empurrando você para frente com vigor. É uma delícia e extremamente convidativo, principalmente quando se está num circuito como o da Fazenda Capuava.

Acompanhando o nível de performance do motor está o chassi, que entrega a dose exata de rigidez torsional que faz com que a moto combine estabilidade em retas e obediência em curvas, sendo muito leve nas trocas de direção que a Capuava pede constantemente. Você faz uma bateria de 20 minutos (que foi o que tivemos à disposição para andar) e ao parar, está sentindo os braços leves e preparados para mais uma session.

É… Brembo tem grife, mas te garanto: este set Nissin dá conta do recado e em momento algum apresentou fadiga ou qualquer ponto comprometedor em seu papel. As frenagens são bastante progressivas em alta velocidade e suaves em baixa, conferindo muita segurança.

Enfim, se você está em busca de uma seiscentas pra track days ou mesmo para rodar na estrada, esta Ninja 636 2020 tem muitas credenciais para ganhar a sua garagem - sem falar que esse verde da Kawasaki é animal!

Ficha Técnica - Kawasaki ZX-6R Ninja 2020

Motor: 4 cilindros em linha, DOHC, 16V, arrefecimento líquido

Cilindrada: 636 cm3

Diâmetro x Curso: 67 x 45,1 mm

Potência: 130 cv (136 cv com Ram Air) a 13.500 rpm

Torque: 7,2 kgf.m a 11.000 rpm

Taxa de compressão: 12,9:1

Alimentação: injeção eletrônica

Ignição: n/d

Partida: elétrica

Transmissão: tipo cassete, 6 velocidades, com embreagem assistida deslizante

Susp. Dianteira: Showa SFF, 41 mm diâmetro, totalm, regulável, 120 mm curso

Susp. Traseira: Bottom link UNI-Trak, totalm. regulável, 151 mm curso

Freio Diant.: Nissin, pinças monobloco fixação radial de 4 pistões, dois discos 310 mm, com KIBS

Freio Tras.: pinça simples, disco único 220 mm, com KIBS

Tanque: 17 l

Altura do assento: 830 mm

Comprimento total: 2.025 mm

Largura Total: 710 mm

Altura mínima do solo: 130 mm

Dist. Entre-Eixos: 1.400 mm

Peso: 196 kg

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