Dois é demais?

Viajar sozinho ou em grupo é uma decisão difícil. Como tudo, existem as vantagem e desvantagens de cada escolha.

Dois é demais?
Por: Aloísio Frazão Jr
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Qual tipo de viagem é mais seu estilo? De que forma você absorve mais o que o destino te oferece?

Não importa o destino. Viajar de moto é sempre uma experiência fantástica. A escolha do roteiro, a preparação da moto, a estrada que você nunca tinha passado, a nova cidade, o outro idioma...

Mas o aprendizado e as experiências de uma viagem podem ser completamente diferentes se você estiver sozinho ou em grupo. A maioria dos motociclistas prefere viajar em grupo – e é natural que isso aconteça. Especialmente para quem nunca fez uma grande viagem, dá uma sensação maior de segurança. Afinal é sempre bom ter alguém por perto para tirar dúvidas, compartilhar decisões e até ajudar a levantar a moto, caso aconteça. É mais seguro porque com duas ou mais motos, você se torna mais visível na estrada e também se sente menos vulnerável, se estiver atravessando uma área ou um bairro perigoso. Viajar em grupo é uma ótima forma para um motociclista começar a se habituar com a rotina de uma viagem. Distribuir a bagagem na moto, programar o GPS, se familiarizar com os trâmites de fronteira. Executar pequenos ajustes na moto fazem parte do ritual de um motociclista, e são coisas que se adquire com a prática. Viagem em grupo é também mais econômica, pois permite que você compartilhe um quarto de hotel, um jantar ou até uma garrafa daquele vinho imperdível que o garçom recomendou. Sem dúvida, ter amigos por perto em um lugar distante é garantia de diversão e histórias para se levar para vida toda.

Mas nem tudo são flores quando viajamos em grupo. Tudo leva mais tempo. Há sempre alguém que demora demais para acordar ou deixar a moto pronta de manhã, que esqueceu de abastecer, que não sabe onde deixou as luvas. Por mais que o grupo seja formado por amigos de longa data, os interesses nunca são exatamente os mesmos. A rota, o tipo de hotel, o restaurante, as distâncias a se percorrer no dia, os intervalos de parada e descanso, tudo isso pode se tornar motivo de conflito. Já ouvi alguns casos de grandes amizades que estremeceram por conta de pequenas desavenças durante viagens.

Outro ponto é a segurança. Um motociclista menos experiente estará mais seguro ao viajar em grupo. Mas é fundamental que ele tenha um mínimo de habilidade, para não comprometer a segurança dos outros. A comunicação entre o grupo também precisa ser clara. Combinar e compreender sinais e gestos também é importante quando se pilota com mais motos por perto. E, quando viajamos em grupo, precisamos ficar atentos aos outros veículos. Um grupo com mais de cinco motos passa a ocupar um espaço considerável na estrada. Motoristas de carros e caminhões podem ficar impacientes e forçar ultrapassagens perigosas, obrigando o grupo a se dividir ou a se espremer no canto da estrada.

Mas ainda acho que uma das coisas que mais se deve levar em conta ao viajar com muita gente é que perdemos bastante a possibilidade de interação. Quanto maior o grupo, menor a chance de aproximação com outras pessoas. Ao viajar sozinho é você quem manda: em tudo! Você é quem decide a hora de parar para descansar, onde parar para fotografar, o restaurante que quer comer, onde vai dormir. Sua decisão é soberana, e isso é muito bom. Quer seguir viagem por mais 500km? Tudo bem. Gostou muito desta cidade e quer passar mais dois dias por lá, contrariando seu planejamento? Tudo bem também.

Viajar sozinho é um pouco mais caro pois você não consegue compartilhar despesas com acomodação, por exemplo. Você também não consegue dividir com seus amigos o peso das ferramentas... Mas torna você independente. A sensação de atravessar a fronteira de um país sabendo que não há ninguém mais te acompanhando além de sua moto e sua bagagem é libertadora. Sozinho sobra mais tempo de pensar nas coisas que são importantes para você, como sua família, seu trabalho (e até seus amigos, que não estão na viagem desta vez). Sozinho você fica mais atento com tudo à sua volta e isso te faz compreender melhor todas as novidades ao alcance dos seus olhos. E sabe aqueles pequenos imprevistos tão comuns durante qualquer viagem? Pois avaliar, ponderar e resolvê-los sem a ajuda de mais ninguém é extremamente gratificante. Isso torna você um motociclista mais completo e confiante.

O mais importante

Mas não há nada mais importante em uma viagem do que as pessoas que a gente conhece no caminho. Elas ficam fascinadas quando veem nossas motos carregadas e equipadas. Ficam curiosas em saber de onde somos, qual nosso próximo destino, nossa história. Grandes grupos de motociclistas geralmente deixam as pessoas mais retraídas. Quando viajamos solo, elas se aproximam e o contato torna-se mais fácil e natural.

Viajar sozinho ou em grupo é uma questão de escolha. Um mesmo destino, uma mesma rota, torna-se diferente dependendo de quantas pessoas estão com você. Mas se você nunca viajou sozinho, deveria experimentar. Nem que seja uma viagem de apenas um final de semana, para um destino próximo.

De qualquer forma, o importante é viajar, conhecer, desbravar. Vá em grupo. Vá sozinho. Mas vá.

Ride on!

 

(*) Aloisio Frazão, 42 anos, é publicitário, trabalha com Branding, mas desde os 13 anos seu combustível definitivo é o motociclismo. Foi do enduro, do motocross, representou o Brasil no BMW GS Trophy e hoje é Instrutor Master da BMW Motorrad no Brasil.

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