Entrevista: Vitor Borges

Ele foi um dos quatro brasileiros na disputa do Six Days 2019. Começou a carreira no motocross e migrou para o Enduro, onde conquistou o título de Campeão Brasileiro na categoria Amador.

Entrevista: Vitor Borges






Fotos: Dines Zamai

 

Ele foi um dos quatro brasileiros na disputa do Six Days, competição considerada a Copa do Mundo do Enduro FIM e que aconteceu em Portugal no mês de novembro. Mineiro, Vitor Borges, começou a carreira no motocross, sendo Campeão Mineiro na categoria 85cc, em 2008.

Depois migrou para o Enduro, onde conquistou o título de Campeão Brasileiro na categoria Amador em 2014. Também em 2014 foi Campeão Mineiro de Cross Country na categoria XC1 e Campeão da Copa EFX 2014, categoria E5.

  • Como e por que começou a praticar enduro?

Iniciei minha participação em provas de enduro, por incentivo do meu pai e paixão por motos e competições. Minha carreira como piloto começou no motocross, onde conquistei alguns títulos importantes, mas em 2011 migrei para o Enduro, modalidade que hoje me dedico e sou apaixonado.

 

  • Em novembro do ano passado você integrou a equipe brasileira no Six Days, em Portugal, competição que é considerada a copa do mundo do Enduro FIM. Como você recebeu esta notícia?

A oportunidade de participar dos Six Days veio a partir do apoio do meu pai, junto a MXF, que me proporcionaram realizar esse sonho, sou muito grato a eles por ter participado do Six Days esse ano, competição considerada a Copa do Mundo de Enduro, onde estavam os melhores pilotos do mundo.

 

  • Agora sobre a moto, como foi o desempenho da moto MXF 250RXi na prova mais dura do mundo no calendário do Enduro FIM?

A moto se portou muito bem, optamos por andar em uma moto original, e ela provou ter uma resistência indiscutível: completou 6 dias de ouro Enduro, em difíceis trilhas e situação, provando ser uma boa moto.

 

  • Qual a principal dificuldade durante os seis dias de prova? E como terminar um dia extremamente cansativo e ainda ter que trocar pneu em poucos minutos?

Pra mim o maior desafio dos 6 dias de prova foi a quilometragem rodada por dia, foram quase 300km por dia, tornando a prova muito cansativa. Não só fisicamente, mas também mentalmente. 

 

  • Quais as principais diferenças entre as competições de Enduro no Brasil e em Portugal?

Com certeza a maior diferença é o nível técnico dos pilotos lá fora. No geral esse nível é bem maior do que no Brasil, mas estamos em constante evolução, e esse ano tivemos bons tempos comparados aos melhores do mundo. Prova que o Campeonato Brasileiro está evoluindo, as provas estão em um bom nível, e os pilotos vem crescendo junto. Estamos no caminho certo, é só uma questão de tempo para chegaremos lá.

 

  • O nível do enduro numa prova como essa é muito alto. Você acredita que se as provas no Brasil fossem um pouco mais duras, como a última etapa na cidade de Patrocínio (MG,  elevaria o nível do esporte no país?

Sim, mas as provas do Campeonato Brasileiro estão em um bom nível técnico, a maioria delas. O que vai fazer subir mais ainda o nível dos brasileiros é a competitividade. E, na minha opinião, o intercâmbio de pilotos estrangeiros para o campeonato, e também pilotos brasileiros indo para fora competir, é o que mais vai fazer subir o nível. Claro que contando com um bom campeonato, o que já estamos tendo.

 

  • Como eram as provas especiais e deslocamentos? Havia mais estradas ou trilhas fechadas com alto nível técnico e CH (controle de horários) apertados?

Os deslocamentos do Six Days não têm tanta dificuldade técnica, só um lugar ou outro. A maior dificuldade está na quantidade de motos que passam no lugar, e as cavas, buracos que ficam por toda parte, não há nenhum metrô se quer, liso e sem buraco! As especiais são em sua grande maioria rápidas, de velocidade, mas com muito, muito buraco por toda parte! CH com tempo bem justo, se não andar em um bom ritmo, fluindo, sem cair e errar, não chega no tempo proposto.

 

  • Em 2020 pretende explorar alguma outra modalidade do off-road como rally ou hard enduro?

Para o próximo ano tenho como objetivo principal o Campeonato Brasileiro de Enduro. Novas oportunidades estão por vir e quero me dedicar e dar o meu melhor, para ter o resultado desejado. Algumas provas além do Campeonato podem ser feitas, mas nada confirmado, a dedicação e foco vai ser mesmo no Brasileiro de Enduro.