Rally Dakar 2021

Raça e determinação, esses foram os ingredientes para a conquista do desejado pódio

Rally Dakar 2021
Rally Dakar 2021






MOTO

A 12ª e última etapa do Rally Dakar 2021 foi disputada nesta sexta-feira (15/01).
Inicialmente os competidores percorreriam um total de 447 km, sendo 200 km cronometrados, mas devido às condições atmosféricas, a especial foi reduzida em cerca de 20 km. O percurso ligou Yanbu a Jeddah.
O argentino Kevin Benavides – Honda é o campeão do Rally Dakar 2021 na categoria motos. Benavides fez uma última etapa perfeita, concluiu o dia com o 2º melhor tempo e chega a seu primeiro título com 4 minutos e 56 segundos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, o americano Ricky Brabec, que tentava o bicampeonato após a vitória em 2020 e venceu a etapa.
“Foi absolutamente louco. Larguei em terceiro e depois de 50 km estava na frente abrindo a especial. Eu sinto que tudo foi complicado, porque Ricky começou a me alcançar. Comecei a forçar muito, o dia todo, e fiquei focado, então fiz um bom trabalho hoje. Além disso, cheguei a 110%, mas agora é verdade: ganhei o Dakar - estou tão, tão feliz! Eu cometi alguns erros, com certeza. Acho que é impossível fazer um Dakar perfeito. O importante é continuar sempre, manter a calma e o foco no dia a dia e trabalhar duro no dia a dia. Na 5ª etapa eu estava preocupado, porque bati muito rápido e bati com a cabeça e o tornozelo e senti muitas dores. Naquele dia eu disse que talvez o Dakar teria acabado para mim. Mas continuei batalhando. Agora ainda sinto um pouco de dor, mas no momento estou mais feliz do que com dor, então não há problema. Acho que foi onde ganhei a corrida hoje, nos últimos quilômetros! Eu tentava não pensar na vitória durante a prova, era preciso manter o foco. Você não pensa, você apenas se concentra na ação e nada mais, porque tudo pode mudar em um segundo. Estou muito orgulhoso de ser o primeiro vencedor sul-americano. Meu sonho também era fazer história e agora sou o primeiro sul-americano a vencer o Dakar nas motos. Isso é incrível para mim. Com certeza, fizemos um trabalho muito bom em todo o Dakar como equipe. O Nacho sofreu uma queda muito forte, o Barreda também, mas fizemos um trabalho muito bom como equipe”, disse Benavides.
“Eu tentei o meu melhor. Infelizmente, meus companheiros de equipe andam muito bem. É muito legal terminar com um-dois, mas obviamente a primeira posição é muito melhor do que a segunda. Fizemos o nosso melhor. Lutamos na primeira semana, mas na segunda voltamos bem fortes. Hoje dei 110% e não foi o suficiente. Eu esperava alcançar o Benavides. Acho que vou voltar no próximo ano e tentar chegar ao topo novamente. É preciso muita gente para fazer isso acontecer e estou muito chateado porque o título não pode ficar comigo, mas o número dois vai funcionar, eu acho. Eu vou voltar, vou para casa e tirar um tempo e vou tentar trabalhar mais duro do que no ano passado. Eu realmente não sei o que poderia ter feito melhor. Comecei a abertura da especial na 1 a etapa e com os novos road-books foi muito difícil. Eles fizeram todas essas notas malucas, com mais CAPs oblíquos e mais pontos e três maiúsculas em uma nota. Este foi apenas o meu sexto ano, mas foi definitivamente difícil. Eu nem sabia que a Honda já tinha vencido com dobradinha. Eu não era nascido em 1987! Estou muito feliz por ser, eu acho, um dos únicos americanos no pódio duas vezes e por ser o único americano a ganhar. Alcancei o número um no ano passado e o número dois neste ano, então estamos apenas aumentando a família de troféus de Dakar. Kevin fez uma boa corrida. Ele é um companheiro de equipe muito bom. Ele e Nacho são muito fortes. Joan também é forte. É meio chato eu não conseguir levar o troféu número um de volta aos EUA, mas vou levar o número dois. Vou aprender com meus erros na primeira semana e depois acho que vou voltar no próximo ano e tentar voltar ao pódio no primeiro lugar”, disse Brabec.
A 3ª colocação ficou com o britânico Sam Sunderland – KTM, que também tentava o bicampeonato. O vencedor de 2017 foi o primeiro a largar e para vencer precisava os 4 minutos e 12 segundos que Benavides tinha após as 11 etapas realizadas. Sunderland terminou a etapa apenas com o 11º melhor tempo, 10 minutos e 50 segundos mais lento que Benavides.
O australiano Daniel Sanders – KTM coroou sua primeira participação no Dakar com a conquista da 4ª colocação na classificação acumulada (+ 00h 38’ 52”).
Também conquistando um excelente resultado para um piloto privado, o americano Skyler Howes – KTM concluiu sua terceira participação no Dakar com a 5ª posição (+ 00h 52’ 33”).
Joaquim Rodrigues – Hero conquistou mais uma posição na etapa final do Dakar para concluir a prova na 11ª colocação na acumulada (+ 03h 04’ 24”).
Sebastian Bühler – Hero também ganhou uma posição, fechou a prova na 14ª colocação na acumulada (+ 04h 00’ 03”).
O estreante Rui Gonçalves – Sherco completou a prova subindo da 20ª para a 19ª colocação na acumulada (+ 06h 32’ 21”).
Infelizmente o dia também foi marcado pelo anúncio do falecimento do francês Pierre Cherpin durante sua transferência aérea entre Jidá e a França. Pierre Cherpin sofreu uma queda durante a 7ª etapa (Ha'il – Sakaka), dia 10/01. O piloto foi socorrido pela equipe médica e levado para o hospital Sakaka, onde foi operado com urgência. Ele estava desde então em coma artificial e seu estado era estável nos últimos dias. Ele já havia sido transportado de avião de Sakaka para o hospital de Jeddah e seguia para a França, onde seria internado no hospital de Lille.
QUADRI

O argentino Manuel Andújar – Yamaha conquistou o título da categoria Quadri do Rally Dakar 2021. Esta foi sua quarta participação na prova. Em 2020 ele bateu no porte do pódio, fez a 4ª colocação e havia sido 5º colocado em 2019.
“É o meu quarto Dakar e a minha primeira vitória. Estou muito feliz por estar aqui. É muito emocionante também. Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram a chegar aonde estou hoje. Todo o Dakar é difícil. Minhas mãos e tudo, meu corpo todo está muito cansado. Mas acabei e estou em primeiro lugar e estou muito feliz. Comecei a pensar que venceria o Dakar há quatro anos. Comecei a pensar isso no meu primeiro Dakar, mas tive muitos problemas. Esta é a única corrida em que não tive problemas. Minha família me deu muito apoio e estou muito feliz agora. Não sei durante a corrida quando pensei que iria ganhar, talvez na largada porque no início estava planejado ganhar o Dakar. Cheguei aqui com essa expectativa. Eu realmente não sei de onde tirei a liderança, mas acho que ontem, quando tive uma diferença um pouco maior, foi quando eu disse tudo bem, vou vencer. Mas você nunca sabe realmente até cruzar a linha de chegada. Realmente não sei meus planos para o próximo ano. Só quero voltar para minha cidade natal e descansar lá com meus amigos e família”, disse Andújar.
O chileno Giovanni Enrico – Yamaha foi o vice-campeão (+ 00h 33’ 44”).
O americano Pablo Copetti – Yamaha venceu a última etapa, conquistando a 3ª colocação na classificação acumulada da categoria (03h 00’ 58”).

UTV / SSV

Os chilenos Francisco Chaleco Lopez e Juan Pablo Vinagre – Can-Am são os campeões da categoria UTV / SSV no Dakar 2020. Este é o segundo título de Chaleco Lopez (2019), o primeiro de Pablo Vinagre, em 2019 ele navegou para Hérnan Garcés, ficando na 15ª colocação. A dupla se uniu em 2020, quando conquistou a 3ª colocação.
“Foi uma etapa muito, muito difícil. Este ano foi muito difícil de preparar devido aos grandes problemas com a COVID em todo o mundo. Mas estou muito feliz pelos meus patrocinadores, pelo meu país e pelo meu copiloto Juan Pablo. No ano passado terminamos no pódio, mas a vitória não foi possível, mas este ano estou muito feliz com a vitória. É perfeito. Acho que a diferença foi a navegação. Foi uma corrida longa, longa e difícil. Com todas as pedras, a navegação e a areia, era muito complicado. É a minha melhor vitória e estou muito feliz”, disse Chaleco.
O americano Austin Jones e o brasileiro Gustavo Gugelmin – Can-Am conquistaram o vice-campeonato. A dupla chegou a liderar a prova em duas ocasiões e buscou a vitória até o final. Terminaram a prova 17 minutos e 23 segundos atrás dos vencedores. Gugelmin foi campeão da categoria em 2018, ao lado de Reinaldo Varela. Jones estreou no Dakar em 2020, sendo também vice-campeão.
A dupla dos poloneses Aron Domzala e Maciej Marton – Can-Am ficou com a 3ª colocação na acumulda (+ 00h 51’ 53”).
Os brasileiros Reinaldo Varela e Maykel Justo – Can-Am conquistaram a 5ª colocação após os 12 dias de prova (+ 01h 27’ 05”). A dupla terminou a prova em estilo, vencendo a última especial. Varela, além do título de 2018, também foi 3º em 2019 ao lado de Gugelmin. Maykel tem várias participações no Dakar, tendo a 4ª colocação na categoria Caminhões em 2006, ao lado de André Azevedo, como seu melhor resultado.
Os portugueses Lourenço Rosa / Joaquim Dias – Can-Am completaram a prova na 14ª colocação (+ 07h 10’ 11”).
Nos protótipos T3 o título do Dakar 2021 ficou com os checos Josef Machacek e Pavel Vyoral - Buggyra Can-Am.
O vice-campeonato ficou nas mãos da italiana Camelia Liparoti em dupla com a alemã Annett Fischer – Yamaha X-Raid (+ 02h 11’ 23”).
A terceira posição na acumulada é dos franceses Philippe Pinchedez e Vincent Ferri – Pinch T3RR (+ 02h 36’ 26”).
Os portugueses Rui Carneiro e Filipe Serra – Can-Am conquistaram a 8ª colocação (+ 05h 37’ 59”).
Por Klever Kolberg.
Foto Divulgação: Flavien Duhamel / Florent Gooden / Frédéric Le Floc'h / DPPI
Angelo Savastano - Savastano Photo Sport