Six Days - Vale ir para conferir de perto

O maior evento mundial de enduro é uma atração imperdível para quem tem paixão por este esporte.

Six Days - Vale ir para conferir de perto






Texto: Renato JECA JOIA Furmann

Fotos: Amarildo Martins e JECA JOIA

 

O maior evento mundial de enduro é uma atração imperdível para quem tem paixão por este esporte. 

A edição 2019 do ISDE (International Six Days Enduro) foi realizada em Portugal. Esta é a mais antiga e maior competição mundial de Enduro. 

A cada ano é realizada em um país diferente. Em 2003 o Brasil teve a oportunidade de receber o Six Days, numa edição que entrou para a história, pois foi a única que recebeu a lenda, Stefan Everts. O piloto Belga, então Campeão Mundial de Motocross, topou o desafio proposto pela Acerbis e viajou até o Brasil para testar suas habilidades na trilha. "Eu fazia trilhas de moto com meu pai quando era criança, mas não cheguei a competir nesta modelidade.", comentou Everts à reportagem do Jornal Jeca Joia, que esteve presente no evento de Fortaleza. 

 

PORTIMÃO

O sul de Portugal, região conhecida como Algarve, foi a sede do ISDE 2019. A cidade de Portimão é um dos pontos turísticos mais famosos no verão europeu, recebendo milhares de turistas vindos de todas as partes do continente. Distante 20 quilômetros da cidade, o Autódromo Internacional de Portimão foi o epicentro do evento. 

De lá os pilotos saíam para as trilhas e retornavam, a cada volta, mais cansados e também mais próximos do principal objetivo: completar 6 dias intensos de disputas pelas trilhas. Por falar em trilhas, elas não estiveram das mais desafiadoras, se comparado a edições passadas. Mas São Pedro atuou fortemente no evento, enviando chuvas fortes nos primeiros dias. 

E como o Outono Europeu costuma ser bastante frio, este foi um obstáculo a mais para os participantes. No terceiro dia, chuva e frio fizeram uma combinação que deixou os pilotos batendo os dentes dentro do capacete. 

 

BRASILEIROS

A quantidade de pilotos brasileiros foi impressionante. Ouso dizer que havia mais brasileiros correndo o ISDE 2019 de Portugal do que havia em 2003, quando a prova foi realizada no Brasil. Destaque, sem dúvida, para Bruno Crivilin. O atual campeão brasileiro, apesar de jovem, é o que gera maior expectativa em torno de resultados. 

Talvez a pressão por resultados ainda seja forte demais para a cabeça do piloto. Com uma velocidade incrível, ele acabou se prejudicando com tombos que nitidamente o desconcentraram durante a corrida. Há de se concordar que não é nada fácil levar o tradiciolnal nome da Honda para o principal palco do enduro mundial. Apesar das dificuldades iniciais, ao longo da prova ele estabeleceu um tirmo que o deixou entre os 30 melhores pilotos do mundo. Claro que ele pode muito mais do que isso, mas é preciso tempo para que se chegue lá. 

Gabriel Tomate, também piloto da Honda, em sua primeira experiência internacional, mostrou um excelente preparo técnico, físico e psicológico. Ao final do evento, sem dúvida, ele conquistou uma excelente reputação. Enfim, muitas vezes, especialmente quando se é muito jovem, correr com menor pressão auxilia a conquistar melhores resultados. 

Nocolas Rodrigues foi o terceiro jovem piloto da Honda. Junto a Bruno e Gabriel, integrou a equipe Júnior do Brasil, capitaneada por Felipe Zanol. Como Rodrigues teve um ano de poucas corridas, já que passou boa parte da temporada machucado, seu desempenho estava abaixo do esperado. Para complicar, um problema mecânico durante o evento acabou eliminando-o da disputa. E como é uma competição por equipes, isso acabou por prejudicar a colocação do time. Vale lembrar que os pilotos também buscam resultados individuais, que podem lhes garantir medalhas de ouro, prata e bronze, dependendo do tempo final que eles obtiverem em relação aos vencedores de cada categoria. Como na categoria Junior não é permitido descarte dos piores resultados, o Brasil finalizou o evento na 13ª colocação. Caso Nicolas tivesse continuado na prova, acredita-se que poderíamos ter finalizado entre o 5º e o 7º lugares. 

O Brasil também contou com uma equipe nacional, correndo pela principal categoria, a World Trophy. Os convocados foram Maurício Fernandes, Gustavo Pellin, Jesus Fernandes e Vitor Borges. Nielsen Bueno seria um dos integrantes deste time, porém se machucou poucos dias antes da prova. Maurício era o mais experiente do grupo, já contando com outras participações no ISDE e também uma guerreira disputa do Red Bull Romaniacs. Pellin é outro bravo piloto, com destaque a nível brasileiro, que igualmente disputou edições anteriores do ISDE e do Romaniacs. O regulamento da prova contabiliza os três melhores resultados de cada País, para efeitos de classificação. Ao longo da disputa o Brasil perdeu Jesus Fernandes, que abandonou a prova no terceiro dia. Felizmente os outros três pilotos continuaram firmes e deram o melhor de si. Ao final o Brasil terminou na 16ª posição, à frente da Inglaterra. 

 

MULHERES

A categoria Feminina foi um show à parte, não só pela quantidade quanto pela quantidade de mulheres participantes. Feras como a norte americana Tarah Gieger, várias vezes campeã do AMA Motocross, estiveram na prova. Aliás, por falar em EUA, a organização to TEAM USA é algo que por si só já vale a visita ao evento. A equipe está empresa bem uniformizada e tudo é rigorosamente organizado, sem dúvida, um show à parte. 

 

MOTO BRASILEIRA

A MXF Motors do Brasil teve a coragem de enviar sua moto, que é fabricada na China, para correr lado a lado com os melhores pilotos do mundo. Dentre o mar de motos européias e japonesas, creio que a MXF era a única chinesa presente. O objetivo da empresa era mostrar aos clientes brasileiros que a moto tem uma qualidade de peças e de motor suficientes para disputar uma competição internacional de alto nível. O piloto Vitor Borges (veja a entrevista na edição 162/Dezembro 2019 da Revista Pró Moto), encarou o desafio e completou todos os dias. E não pense que ele completou nas últimas posições, pelo contrário. O jovem mineiro esteve sempre ali no pelotão intermediário. Isncrito individualmente na categoria Principal, a E1, ele terminou na 35ª colocação.Fez tempos melhores que diversos pilotos estrangeiros a bordo de motos Husqvarna e Yamaha, por exemplo. Não podemos deixar de dar parabéns aos responsáveis pela MXF Motors do Brasil, pela ousadia. Só dá a "cara a tapa" quem confia no produto que faz. Aliás, vale lembrar que a moto utilizada por Vitor viajou direto da China para Portugal e a única alteração que sofreu foi a troca das bengalas de suspensão dianteira. O piloto levou suas próprias suspensões para a disputa, algo que mesmo as equipes de ponta fazem.

 

MAIS TESTES

E são várias as marcas que aproveitam um evento como este para fazer teste de seus produtos em escala real. Outro exemplo relacionado ao Brasil é a DYVA SUSPENSION, novo sistema de suspensões que equipou diversas motos no ISDE 2019, inclusive a Husqvarna do Brasileiro Maurício Fernandes e as motos do "Clube Brasil", um time formado por Manuel Jesus Correia, José Manuel Simas "Portuga" e William Almeida Jr. Os três experimentaram a suspensão DYVA durante toda a prova e ao final confirmaram que este sistema deixou a caminhada menos complicada. Fica aqui o telefone do Fábio, que é o responsável pela Dyva no Brasil: (11) 94762-8533.


RESULTADOS 

Na principal categoria, Estados Unidos, Austrália, Itália e Espanha travaram um forte duelo ao longo dos dias. O australiano Daniel Sanders foi brilhante ao longo do evento, bem como o norte americano Taylor Robert. Eles e Josep Garcia, da Espanha, tinham uma tocada nitidamente superior à dos demais. Ao final, venceu o conjunto dos EUA, que tinha também outras feras como Ryan Sipes, Kailub Russel. Steward Baylor, quarto norte americano do time, teve os piores resultados na prova, mas ao final subiu ao topo do pódio com seus companheiros. Austrália em segundo, Itália em terceiro, Espanha em quarto e Finlândia em quinto. Estes foram os melhroes países. 

Na Júnior, quem venceu foi a Austrália, com os EUA em segundo e a Espanha em terceiro. Portugal e Bélgica, respectivamente, completaram os 5 primeiros. Entre as mulheres, vitória incontestável do "Dream Team" norte americano, com Terah Gieger, Brandy Richards e Rebecca Sheets. Alemanha ficou em segundo e Inglaterra em terceiro. Suécia e Espanha completaram o pódium.

Em termos individuais, Daniel Sanders foi (E3) o melhor piloto do evento, com Josep Garcia (E1) em segundo e Taylor Robert (E2) em terceiro. Cada um foi o vencedor da sua própria categoria individual, E3, E1 e E2, respectivamente. 

Dentre as mulheres, a mais rápida foi Maria Franke, da Alemanha, com Brandy Richards em segundo e a britânica Jane Daniels em terceiro. 

MARCAS

Também há uma disputa entre as fabricantes de moto. O time 1 da KTM foi o vencedor, com o time 2 em segundo lugar. No primeiro time da fábrica laranja estavam os pilotos Ryan Siper, Taylor Robert e Josep Garcia. Em terceiro ficou Honda 1, com Husqvarna 3 em quarto e Honda 2 em quinto. 

 

VINTAGE

De uns anos para cá, uma nova categoria foi criada no ISDE. A categoria VINTAGE é destinada aos pilotos e às motos antigas. É outro show à parte que compensa a viagem. você pode assistir incríveis motos dos anos 60, acelerando forte. No comando, feras do esporte, como Giovani Sala, lado a lado com trilheiros comuns. É realmente um show. 

A vitória geral ficou para o time italiano, formado por Sala, Mario Rinaldi e Alessandro Zamparutti. Em segundo ficou A Alemanha, com a França em terceiro lugar. Vale lembrar que esta categoria corre apenas os 4 últimos dias de prova.

 

ENCERRAMENTO

Dos 6 dias de evento, "apenas" os 5 primeiros são disputados na trilha. O sexto e último dia é normalmente reservado para uma corrida de velocross, ou mini motocross, ou supermoto. Na edição 2019 a disputa aconteceu numa espécie de velocross com apenas um salto de mesa bempequena. Como é uma disputa rápida, ela pouco altera no resultado final do evento. 

 

VALE A PENA?

Estar no SIX DAYS e ver de perto todos aqueles pilotos e equipes é algo que compensa todo e qualquer investimento. Ali você confere de perto os melhores do mundo, com equipes muito bem estruturadas e o acesso às trilhas é sempre muito fácil. Vê-los andar de moto é algo altamente gratificante e inspirador. Claro que andar como eles é algo que deixaremos para uma próxima oportunidade de vida. Prepare-se desde já, a próxima edição (número 955) acontecerá na Itália, no final de 2020.